O caminhão ja não podia ser mais alcançado "o inimigo fugira!", a trupe não desistindo da diversão se encaminha de súbito ao rio. Chegando ao rio, viram-se cara-a-cara com seu inimigo, uma placa enorme alertava "PERIGO". Com os olhos serrados, derrubaram a placa, soltando inúmeros urros!
Partiram, pelo leito do rio iam-se atolando nos sedimentos, ora de solo ora de lixo que recobriam as margens, logo viram seu primeiro inimigo se movendo. No pé deles uma imensa ratazana saltara de seu esconderijo, as crianças viram um dragão terrível que precisava ser contido, antes que chegasse ao barraco, ou melhor, reino na margem do rio, seguiram rapidamente com suas lanças improvisadas de cabos de vassouras e rodos. O grande dragão foi morto, seu cadáver rapidamente foi jogado nas águas do rio, que estavam tão mortas quanto seu mais novo visitante.
Nossos heróis, sentaram nos sofás que foram abandonados pelos inimigos próximo ao rio.Olhando um ao outro, apreciando seus físicos, com barrigas inchadas e olhos remelentos, os heróis respiravam firmemente todo o ar que os cercavam. Em meio à várzea que estavam, que parecia ter sofrido com a guerra a muitos anos, pois jazia de escombros e lixos que brotavam de todas as parte, ouviram um som estrondoso vindo do céu.
Olhando para cima, viram que o céu estava completamente encoberto por terríveis nuvens. Os pequenos heróis foram surpreendidos, correram cada um para o seu abrigo. A chuva começou a cair indiferente as condições locais. Rapidamente o nível do rio subiu, alcançando as casas próximas a este, condenando-as ao castigo que lhes retribuia, levando-as consigo para o mais longe possível, seus moradores carregados juntos nada podiam fazer. Um de nossos heróis estava abrigado de baixo da mesa de sua casa, se é que pudesse ser chamado de mesa, o menino chorando sozinho havia abandonado suas armas, estava indefeso. O ruir das colunas do barraco, em segundos fez a casa descer como uma avalanche de escombros. A chuva cada vez mais forte, apagava a civilização que habitava a várzea. uma pequena mão, tentava escavar a lama, sem sucesso e moribunda, a pequena mão tombara, não podia ver o corpo, apenas a mão, que como houvesse brotado do solo como uma plantava, estava erguida sem vida.
Muitos estragos foram feitos, na verdade ja eram decretados, porém a incapacidade da gestão pública de elaborar projetos que pudessem preservar a vida das pessoas foi tão grande, que levou a um dos piores desastres ja vistos na história de um país sul-americano. A negligência atinge os representantes da sociedade, nem a força da natureza fica inquieta perante tal absurdo. Mostra-nos toda a sensibilidade que rodeia o sistema que vivemos, poluição não é nada comparado com a corrupção," é fácil despoluir a natureza, é impossível despoluir a mente humana."
cada vez tenho menos esperança em relação ao futuro...

